F.C.Porto 3 - Gil Vicente 0. Resultado não oferece contestação frente a um bom adversário
Após uma má exibição e um mau resultado - contra dez durante toda a 2ª parte esperava-se muito mais da equipa de Farioli - e antes de receber os escoceses do Rangers num jogo decisivo para saber se teremos um Dragão com entrada directa nos oitavos-de-final ou obrigado a disputar o play-off e mais dois jogos, o FCP no regresso ao campeonato tinha pela frente o Gil Vicente, 4º classificado e a fazer uma época excepcional, bem acima das expectativas.
Com um onze composto por Diogo Costa, Martim Fernandes, Thiago Silva, Bednarek e Kiwior, Pablo Rosario, Froholdt e Gabri Veiga, Pepê, Samu e Borja Sainz, os azuis e brancos entraram com o seu jogo habitual, trocar atrás até encontrar espaços na frente, preferencialmente através de Pablo Rosario. Na primeira vez que conseguiram sair bem, Borja Sainz bem posicionado e com dois colegas a quem podia passar, preferiu rematar, rematou ao lado. Aos 12 minutos a bola entrou na baliza do Gil Vicente, mas Borja Sainz estava deslocado.
Os de Barcelos trocavam bem a bola, não se faziam rogados, procuravam a baliza de Diogo Costa e ameaçavam. Ao contrário dos azuis e brancos que não circulavam nem ligavam tão bem as jogadas, tinham mais dificuldade em chegar no último terço em ataque organizado.
As dificuldades passavam muito porque Pablo Rosario muito junto aos centrais, não se soltava, o Gil ficava com vantagem de ter três, às vezes mais jogadores para Froholdt e Gabri Veiga.
Era importante que o chamado trinco subisse uns metros. O jogo dos azuis e brancos não fluía. Mas apesar disso o FCP podia ter marcado. Incrível como Gabri Veiga falhou um golo cantado.
Num canto do mesmo jogador, Murilo agarrou e derrubou Samu, penálti claro. Chamado novamente a marcar, o internacional espanhol desta vez não desperdiçou, adiantou os Dragões. Samu que estava muito bem no jogo.
Feito mais difícil, era importante não gerir, continuar a atacar, procurar dilatar a vantagem. Para isso era importante não facilitar e principalmente fazer bem. Não errar passes fáceis, definir com critério, procurar as melhores opções.
Sem mais nada de relevante, o jogo chegou ao intervalo com os portistas na frente, resultado justo, apesar da boa réplica do conjunto de César Peixoto.
A vencer pela diferença mínima, longe de poder descansar e relaxar, o FCP não podia facilitar, tinha de procurar o 2° golo. Para isso tinha de aproveitar os espaços que a equipa de Barcelos certamente iria dar na procura do empate.
Francesco Farioli manteve o mesmo onze e o jogo recomeçou com Borja Sainz em vez de despachar, quis fintar, pediu falta, o árbitro não assinalou e perigo para a baliza dos líderes do campeonato. Para quê complicar? Porto sempre a trocar a bola atrás à espera de procurar soltar curto ou na profundidade. Mas as coisas não saíam bem.
Aos 61 minutos saíram Gabri Veiga e Borja Sainz, entraram Rodrigo Mora e William Gomes. O Gil acreditava, assustava, os azuis e brancos quando chegavam na frente faltava qualquer coisa. O FCP sem necessidade, facilitava, estava a pôr-se a jeito. Aos 70 minutos entrada muito dura de Fernandez sobre Thiago Silva, vermelho, Gil com dez, vida ficou mais fácil para o conjunto da casa. Mas para isso era preciso melhorar com bola e estava difícil passar e optar bem. Mora perto do golo. Não entrou nesse lance, entrou logo a seguir, num grande golo de Martim Fernandes com um remate fortíssimo de longe.
Com dois golos de vantagem e mais tranquilo, o treinador do FCP achou que era hora de voltar a mexer, meteu Oskar Pietruzesvky e Deniz Gül, tirou Pepê e Samu aos 76 minutos e aos 81 saiu Froholdt e entrou Eustaquio.
Só dava Porto que ameaçava o 3°. E fez por William. Lá está, ameaçou que ia para dentro, foi por fora, ficou na cara do guarda-redes e fez um belo golo.
O resultado era pesado para o Gil Vicente, mas o FCP, que tem uma defesa difícil de bater, se a partir dessa fortaleza, melhorar na saída para o contra-ataque, pode marcar mais golos, chegar mais rapidamente à tranquilidade.
Deniz Gül sozinho frente a Dani Figueira por um toque de classe de Rodrigo Mora, podia ter feito o 4°.
O jogo chegou ao fim com a vitória dos Dragões por um resultado que não oferece contestação, frente a uma equipa que fez um bom jogo, deu excelente réplica, melhor quando jogou com onze.
Sem ter feito uma exibição brilhante o FCP fez o que era preciso, conquistou os três pontos, manteve distâncias para quem vem atrás. Agora é descansar e preparar o jogo com o Rangers decisivo para saber se os Dragões vão directamente para os oitavos-de-final ou têm de fazer mais os dois jogos do play-off.
Não há razões para desconfiar, mas é preciso prevenir, alertar para não sofrer desilusões
Hoje mais a frio, atenuada a irritação e desilusão de uma má exibição e um mau resultado, importa dizer o seguinte:
1 - O FCP já conseguiu os serviços mínimos, está apurado para o play-off. E se cumprir a sua obrigação, vencer o Rangers e de preferência por um resultado que não seja apenas a diferença mínima; a lógica não for uma batata, por exemplo, o Ferencvaros ir vencer o Nottingham; ainda se pode apurar directamente para os oitavos-de-final. No jogo com o Rangers não pode ser apenas um FCP físico, muito coração, futebol directo, pelo ar. Nessa matéria os escoceses não são inferiores a ninguém. Tem de ser um Porto com bolinha no chão, largura, tocar e circular bem, obrigar o adversário a correr atrás da bola, desgastar-se, boas opções e definições no último terço, passar e executar bem, finalizar com eficácia.
2 - Sem ter nas laterais o nível que tem no centro da defesa, o sector recuado do FCP é excelente, uma garantia que a equipa sofre poucos golos e se marcar, ganha ou empata, muito dificilmente perde.
3 - Já o meio-campo e o ataque, o nível está aquém da prestação exigida e longe da prestação da defesa, guarda-redes incluído.
No sector intermédio, onde se costuma dizer, se ganham os jogos, Froholdt é um box to box, um todo terreno, ataca, defende, pressiona, dura os noventa minutos, mas não é um organizador de jogo, um patrão, o que marca os ritmos, encontra os espaços, tira coelhos da cartola. Idem para Pablo Rosario, Alan Varela ou Eustaquio. Esse jogador devia ser Rodrigo Mora ou Gabri Veiga e quer um quer outro até ao momento nunca foram aquilo que a equipa precisa.
No centro do ataque, sem Luuk de Jong, o FCP tem dois jovens com potencial, mas que ainda precisam de crescer, evoluir em vários itens, não são ainda - espero que possam vir a ser -, os goleadores que a equipa necessita.
Nas alas e sem tempo para analisar o valor e características do polaco Oskar Pietruzesvky, apesar da estreia prometer muito - convém lembrar que só tem 17 anos, precisa de crescer naturalmente, sem pressões e exigências que só podem atrapalhar. Veja-se o caso de Rodrigo Mora -, o FCP tem três alas de características semelhantes. Todos interiorizam, vão sempre para dentro, jogam pouco ou nada com o lateral que entra nas costas. Assim o jogo tende a afunilar, ir para espaços congestionados, frente a equipas de tracção à rectaguarda, que defendem com muitos e colocam muita gente no centro da defesa, fica difícil encontrar o caminho do golo. É preciso dar largura, ir à linha, fazer passes para trás ou cruzamentos bem executados.
4 - Alguém diga a William Gomes que anda desaparecido em combate desde Setembro em que marcou um grande golo na Áustria frente ao Salzburg depois de ter feito outro igual em Alvalade. Marcar golos bonitos, OK, mas forçar, abusar da mesma jogada constantemente, mesmo quando a jogada pedia outra opção, um passe ou cruzamento, é burrice e tem de acabar. Os golos bonitos são tão importantes para a equipa como os golos marcados com as costas.
Acorda, rapaz!
Já Borja Sainz não pode fazer o mais difícil, controlar bem a bola, ficar isolado na cara do guarda-redes e depois passar-lhe a bola. Nestes jogos falhar golos cantados pode fazer toda a diferença.
5 - Em jogos amarrados, difíceis, onde os espaços no último terço são caríssimos, falta ao FCP um desequilibrador, um jogador diferenciado, capaz de encontrar o caminho para o golo numa zona congestionada, num lance de génio com uma assistência primorosa ou um golo.
Nota final:
É preciso não esquecer o ponto de partida e até ao momento, o FCP tem feito uma época excelente. Lidera o campeonato com dezassete vitórias e um empate, em dezoito jogos, sete pontos para o 2° e dez para o 3°.
Está nas meias-finais da Taça de Portugal onde vai defrontar o Sporting numa eliminatória difícil, que se prevê equilibrada, sem favorito, quando devia defrontar o Santa Clara onde aí já seria o favorito.
Continua na Liga Europa - como referi falta saber se com ou sem play-off -, mesmo não tendo tido na 2ª prova mais importante da UEFA uma prestação de grande qualidade. Mas isto ainda não terminou...
Perdeu a possibilidade de conquistar a Taça da Liga, mas para mim é o lado que durmo melhor.
Para além disso, esta equipa tem atitude, determinação, alma, crença, espírito de solidariedade e de grupo, tem honrado o manto sagrado, levado a que o portismo volte a acreditar no sucesso. Ontem correu mal, mas não podemos achar que vai ser sempre assim. É preciso que este resultado e esta exibição faça tocar as campainhas, sirva de alerta, mostre que é preciso voltar à terra, um bom FCP apareça já na próxima 2ª feira frente a um Gil Vicente que está a fazer uma grande campeonato.
Somos uma equipa com muita juventude e esse factor pesa e tem de ser ponderado, compreendido. Mas o factor juventude não pode ser motivo para que, no momento certo e este é o momento, essa juventude não seja alertada, corrigida. É preciso evitar deslumbramentos. O eu nunca pode estar acima do nós. Foi com humildade, um perfil discreto que chegamos até aqui, tem de ser com esse espírito que devemos encarar a 2ª parte da temporada.
Assim e para concluir, apesar da excelente época, há coisas que podem e devem melhorar. Foram apontadas algumas, apenas com o objectivo construtivo e sobre aquilo que na opinião deste bitaiteiro que não passou a desconfiar, muito menos já não acredita, sobre o que FCP precisa de fazer melhor.
Viktoria Plzen 1 - F.C.Porto 1. Desperdiçar por culpa própria a oportunidade de colocar um pé nos oitavos-de-final
Depois de um jogo muito difícil frente ao Vitória SC, em Guimarães, mas que terminou com objectivo da conquista dos 3 pontos, conseguido, os Dragões tinham pela frente outro Viktoria, desta vez em Plzen, na Chéquia, jogo a contar para a penúltima jornada da fase de grupos da Liga Europa. Dependendo exclusivamente de si, o FCP podia, com uma vitória, dar um passo que quase lhe garantia o apuramento directo para os oitavos-de-final da 2ª prova da UEFA, sem passar pelo play-off.
Ciente das responsabilidades e da importância do jogo e debaixo de condições atmosféricas adversas, muito frio, Francesco fez alinhar de início Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior e Martim Fernandes, Pablo Rosario, Froholdt e Rodrigo Mora, William Gomes, Samu e Borja Sainz e o FCP entrou bem, rapidamente ganhou dois cantos, mas sem consequências. De um erro de Kiwior, mau atraso para Diogo Costa, resultou em golo do Plzen e sem que tivessem feito alguma coisa para o conseguir. Os chéquios animaram, pressionaram, o FCP sentiu o golo, tremeu, esteve em risco de sofrer o segundo. Com os portistas a demorarem a assentar e ligar o jogo, encontrar boas opções, aos 18 minutos Borja Sainz completamente sozinho e já dentro da área, passou a bola ao guarda-redes. Incrível o falhanço do espanhol.
Os Dragões procuravam reagir, mas de uma forma trapalhona, com decisões erradas, perdiam a bola facilmente, permitiam contra-ataques perigosos. Culpa de um meio-campo que não pegava no jogo, soltava nas melhores condições na frente, não subia no apoio a Samu. Quando chegava, o critério a definir raramente era bem executado. Numa excelente subida de Kiwior pela esquerda, cruzamento para trás, Mora não só não finalizou como impediu que a bola chegasse a uma zona onde poderia aparecer alguém para finalizar. Já merecia um golo o conjunto português, mas faltava contundência e assertividade na hora de rematar à baliza. Já o Plzen não perdia tempo a enfeitar, mal tinham oportunidade rematavam. No ataque do FCP William não fazia nada, era um a menos. Samu era travado de qualquer maneira, amarelo nem vê-lo.
Aos 45 minutos penálti claro contra o Plzen, corte com o braço evitando o golo, VAR analisou, chamou o árbitro, este foi ver e assinalou penálti e expulsão.
Chamado a marcar Samu falhou clamorosamente, atirou ao lado, desperdiçando uma grande oportunidade do FCP ir para o intervalo empatado, com tudo que isso significava na moral portista para a 2ª parte e abalo na confiança do adversário.
E assim as equipas recolheram às cabines com os chéquios na frente, culpa exclusiva da incapacidade do FCP em marcar golos, mesmo de penálti. Assim fica difícil.
Com mais um jogador em campo, esperava-se que a equipa de Farioli viesse com tudo para virar o resultado. O técnico do FCP fez uma alteração, meteu Pepê, tirou Borja Sainz.
O jogo recomeçou com os Dragões instalados no ataque, o Plzen todo atrás. Mas era preciso fazer bem, mas havia quem persistisse em fazer mal. Muita bola, muitos toques, mas poucas decisões correctas. Mora e William eram zero, continuavam desaparecidos, não faziam nada de jeito. O treinador viu, manteve William, mas tirou Alberto Costa e Rodrigo Mora, meteu Francisco Moura e Gabri Veiga. Faltava claramente ataque ao FCP. E William continuava a fazer asneiras. Sem que se notassem melhorias com as substituições, as interrupções eram constantes, só jogadores do Plzen no chão.
Deniz Gül e Alan Varela nos lugares de um péssimo William e de Martim Fernandes.
Aos 73 minutos Francisco Moura com tudo para assistir bem e com vários colegas bem posicionados, em vez de tocar atrasado colocou na zona do guarda-redes e perdeu-se uma boa chance. Apesar de ter muita posse, era um FCP que parecia incapaz de mudar o rumo dos acontecimentos. Em vez de alargar pelas laterais, afunilava, só jogava pelo meio, pela zona mais congestionada. Mesmo contra dez não conseguia uma jogada em condições, raramente criava uma oportunidade de golo.
Deniz Gül, o único que entrou bem, muito perto do golo. Até esse momento foi o único lance de perigo na 2ª parte. No FCP havia uma espécie de competição para ver quem fazia pior, ninguém emergia, desequilibrava, encontrava espaços para assistir ou finalizar.
Aos 85 Moura marcou, mas a bola antes bateu no braço de Samu.
Finalmente, em cima dos 90, Deniz Gül fuzilou e empatou o jogo. De seguida Samu podia ter marcado, mas foi com o pé contrário.
O FCP tentava tudo, mais com o coração que com a cabeça, mas só deu para empatar. Do mal o menos.
Incrível como o árbitro só deu cinco minutos depois de durante toda a etapa complementar haver várias paragens para assistir os jogadores chéquios.
O FCP perdeu uma grande oportunidade de ficar muito próximo de garantir o apuramento directo para os oitavos-de-final. Culpa exclusivamente sua. Culpa de um ataque que até à entrada de Deniz Gül foi de pólvora seca, incapaz de marcar um golo, mesmo de penálti. Culpa de uma equipa incapaz de encontrar as melhores soluções para abrir espaços, encontrar o caminho do golo, mesmo com mais um durante toda a 2ª parte.
O FCP precisa de mais inspiração, não pode ser só coração.
Nunca tive dúvidas, mas se tivesse elas hoje ficaram desfeitas: o FCP precisa de reforçar o ataque.
Vitória S. C. 0 - F.C.Porto 1. Sem jogar bem e frente a um excelente Vitória, valeu aos Dragões um Oskar polaco
Depois da vitória e eliminação do Benfica e já sabendo que vai jogar nas meias-finais com o vencedor do jogo entre o Sporting e o AFS, no regresso ao campeonato para a 1ª jornada da 2ª volta, o FCP tinha uma curta, mas difícil deslocação até Guimarães para defrontar o Vitória, única equipa que o derrotou nas provas internas, recém vencedor da Taça da Liga e por isso moralizado.
O técnico portista fez alinhar de início Diogo Costa, Alberto Costa, Thiago Silva, Kiwior e Martim Fernandes, Alan Varela, Froholdt e Gabri Veiga, Pepê, Samu e Borja Sainz e os Dragões entraram precipitados, pouco inspirados, vimaranenses bem a sair para o ataque e mais perigosos. FCP nas poucas vezes que teve oportunidade de contra-atacar, Pepê com espaço errou um passe fácil para Froholdt que estava sozinho. Aliás passes errados no brasileiro, infelizmente, hoje e não foi só ele, são uma constante.
Portistas tardavam em encontrar-se, porque em vez de simplificar, jogar fácil, complicavam. Para além disso, muita gente na linha defensiva, Varela muito encostado atrás, pouca no meio-campo, Samu muito sozinho na frente. Vitória muito melhor no jogo, frente a um FCP muito aquém do que se exigia.
Aos 26 minutos do nada, Alberto Costa ganhou um penálti. Chamado a marcar, Samu atirou contra a barra. Era o corolário de uma exibição muito apagada do avançado espanhol que não segurava uma bola, não ligava uma jogada. Na resposta, perigo junto à baliza de Diogo Costa. E a equipa de Francesco Farioli continuava a jogar e criar pouco. Nem de livre perto da área o FCP acertava na baliza.
O jogo chegou ao intervalo empatado a zero, com o FCP a fazer uma primeira-parte muito fraca. Equipa trapalhona, desorganizada, incapaz de ligar uma jogada com princípio, meio e fim. A única ocasião de perigo foi o penálti desperdiçado por Samu. O Vitória foi sempre melhor como equipa nos 45 minutos iniciais.
Depois de uma exibição tão fraca, na 2ª parte jogar pior seria impossível.
Farioli não mexeu e o jogo recomeçou e o FCP parecia incorrer nos mesmos defeitos. Gabri Veiga nem um livre em condições era capaz de marcar.
Samu só fazia asneiras atrás de asneiras. A primeira grande oportunidade do FCP foi aos 53 minutos, Gabri Veiga falhou em boa posição. Era preciso acalmar, acordar para o jogo, jogar futebol. Perto da meia-hora, parecia estar melhor o conjunto da Invicta.
Aos 60 minutos saíram Gabri Veiga e Pepê, entraram Rodrigo Mora e William Gomes.
Dragões pressionavam, superiorizavam-se, chegavam à frente com perigo. Mas o Vitória sempre que podia contra-atacava. A melhoria do FCP foi sol de pouca dura e valeu Diogo Costa a evitar o golo. Os jogadores só jogavam para trás. Quando foram para a frente Borja Sainz falhou incrivelmente. Logo de seguida Mora ficou perto do golo.
Aos 73 saíram Samu e Borja, entraram Oskar Pietruzesvky e Deniz Gül.
Jogo muito disputado, muita atitude, mas era muito coração e pouca razão.
Aos 80 minutos Oskar que entrou muito bem, foi derrubado na área. VAR chamou o árbitro para ver, João Gonçalves assinalou e bem, penálti. Com Samu fora, foi Alan Varela a cobrar, marcou, adiantou o FCP.
Saiu Alberto Costa e entrou Bednarek aos 88 minutos. Era preciso aguentar a vantagem mínima. Árbitro deu 8 minutos. FCP incapaz de controlar, trocar a bola, só defendia, raramente saía para o contra-ataque.
Oskar Pietruzesvky era a excepção à regra, uma clara mais valia, ia para cima sem medo, ganhou o penálti da vitória, ganhou um livre junto à área, jogou muito bem nos 15 minutos que esteve em campo. Promete o jovem polaco.
O jogo chegou ao fim com a vitória, muito sofrida, do FCP, que não fez um bom jogo. A equipa de Francesco Farioli fez uma má 1ª parte, melhorou na 2ª, mas sem ser capaz de atingir o nível exigível e que esta equipa já mostrou ser capaz. O jogo com o Benfica deixou marcas físicas e o Vitória, que fez um grande jogo, também tem muito mérito no mau jogo do líder do campeonato.
Quando não se joga bem e se consegue os três pontos, óptimo, mas é preciso reflectir sobre o que esteve mal. E hoje colectivamente e individualmente, salvo raras excepções, não foi um bom jogo. Houve jogadores que passaram claramente ao lado do jogo.
F.C.Porto 1- S.L.Benfica 0. Parabéns Mourinho pela vitória - 1-2 - e passagem às meias-finais.
Depois de uma pausa fruto da eliminação da Taça da Liga e do estágio algarvio, o FCP tinha pela frente o Benfica em jogo a disputar no Estádio do Dragão e contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal.
Como disse nos dos últimos posts o FCP tinha que encarar o jogo com a máxima responsabilidade e respeito pelo adversário e este mais recente, também muito cuidado com o árbitro Fábio Veríssimo. Coração quente e nervos de aço, não reagir a provocações venham elas donde vierem, não passar cartão ao árbitro, jogar à bola.
Francesco Farioli fez alinhar de início Diogo Costa, Martim Fernandes, Thiago Silva, Bednarek e Kiwior, Pablo Rosário, Froholdt e Gabri Veiga, Pepê, Samu e Borja Sainz e o jogo começou nervoso, muito disputado, pouco fluído.
O primeiro lance de perigo foi do Benfica. Remate por cima. Na reacção o FCP ganhou três cantos, ao 3° marcado por Gabri Veiga, Bednarek marcado entrou forte e de cabeça abriu o marcador. Dragões na frente. E o 2° golo só não surgiu porque Trubin fez uma grande defesa.
O Benfica em desvantagem procurou o empate, numa saída rápida após um canto do FCP, Lopes Cabral criou perigo.
Na equipa de Farioli alguma dificuldade em ligar as jogadas e chegar em ataque organizado e a dar algum espaço entre linhas. Também alguma precipitação na circulação e em sair da pressão, muito por culpa de Gabri Veiga que tinha dificuldades em se libertar. Quando se libertou podia ter marcado. O remate saiu fraco. Idem para o de Borja Sainz.
Veríssimo deu sete minutos de desconto.
Um sururu que valeu cartão amarelo a Samu e Gabri Veiga no FCP e Dedic e Pavlidis no Benfica.
Já nos descontos sobre descontos, Dragões em dificuldades, o golo rondou a baliza de Diogo Costa. Faltava clarividência e calma para em posse da bola encontrar as melhores soluções para sair da pressão.
O intervalo chegou com FCP na frente pela diferença mínima, num jogo equilibrado, muito disputado, com o Benfica a explorar o lado esquerdo da defesa portista onde Borja Sainz e Gabri Veiga tinham dificuldade em travar a dupla Dedic e Prestiani.
Com o jogo longe de estar resolvido e com a equipa a revelar algumas dificuldades em sair da pressão e encontrar as melhores opções para atacar, Francesco Farioli não mexeu no onze.
A perder o Benfica ia tentar marcar, era preciso estar atento. Defender bem, não inventar, procurar aproveitar os espaços que o Benfica ia dar na reacção à desvantagem no resultado.
O jogo recomeçou na mesma toada. Aos poucos os azuis e brancos estabilizaram e Pablo Rosario em boa posição rematou fraco.
Samu sozinho e com possibilidade de isolar Pepê, errou o passe. Uma brincadeira de Gabri Veiga ia originando um golo do Benfica. Não pode acontecer.
Aos 61 saíram Gabri Veiga e Borja Sainz, entraram Mora e William.
O FCP recuou, deu a iniciativa ao adversário, ficou na expectativa. Era preciso subir, não ficar tanto atrás. O FCP assim fez, mas faltava claramente mais acutilância no ataque.
Aos 74 minutos saíram Bednarek e Martim, entraram Alan Varela e Alberto Costa.
Aos 90 muito perigo junto à baliza de Diogo Costa, no único lance de verdadeiro golo iminente do Benfica na 2ª parte. Eustáquio substituiu Pepê, o jogo chegou ao fim com o FCP a conseguir controlar, segurar a vantagem, garantir a vitória e a passagem às meias-finais.
Foi um jogo intenso, muito disputado, equilibrado, sem muitas oportunidades e com um vencedor que se pode considerar justo de uma equipa que tem no sector recuado a sua grande força. Quando está em vantagem e com esta defesa, em que Thiago Silva se integrou muito bem, o FCP precisa de atacar e contra-atacar melhor. Isso depende muito na capacidade de jogar a um, dois toques, simplicidade, pensar, optar e executar bem.
Ouvindo o treinador do clube da Luz, foi mais uma vitória moral, virtual e lá teremos o Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal. Parabéns, Mourinho!
Havia algumas dúvidas se Kiwior na esquerda seria um desperdício, abalaria o sector recuado e provocaria fissuras no apelidado muro polaco. Não foi. Fez um grande jogo, é mais uma alternativa para o lado esquerdo da defesa.
Nada a dizer do trabalho do árbitro. Ainda bem que não teve influência no resultado. Isto não muda nada sobre a surreal nomeação do Conselho de Arbitragem.
Entretanto, se continuarem a repetir até à náusea o lance do Pablo Rosario, do Rodrigo Mora, o falhanço do Pavlidis, não chegam à conclusão que o Benfica venceu 3-1 e está nas meias-finais da Taça de Portugal?
A nomeação de Fábio Veríssimo para o FCP - SLB é um insulto, uma afronta e uma provocação ao FCP.
Como é possível o Conselho de Arbitragem nomear para o clássico de amanhã a contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal, Fábio Veríssimo, um árbitro que tem a decorrer contra ele um processo de inquérito disciplinar no Conselho de Disciplina por queixa do FCP?
Isto é uma nomeação inacreditável, surreal, uma falta de respeito, um insulto, uma afronta e uma provocação ao FCP.
Esta gente que gere a arbitragem são autênticos pirómanos, gostam de brincar com o fogo.
Entrevista de Francesco Farioli para ler, reler e guardar para a posteridade
Uma abordagem sobre a primeira-parte da época sem tabus, numa linguagem simples, clara, sensível, descomplexada, sem aqueles tiques que o futebol não é para todos, só para os entendidos, para falar e discutir futebol é preciso tirar um curso superior.
Parabéns Mister!
O Estádio do Dragão
“Estamos nesta zona específica (Tribuna) porque foi aqui que eu assisti ao meu primeiro jogo no Estádio do Dragão, há alguns anos, contra o Inter. Estava sentado num daqueles lugares, com uma perspetiva diferente da atual, mas o Dragão é um estádio onde já me sinto em casa.”
Clube e cidade
“A energia, o ambiente e o apoio são sempre espetaculares neste estádio. Sentimos imensa paixão pelo futebol e, especialmente, pelo FC Porto. Quando andamos na rua ou vamos a um restaurante, as pessoas demonstram paixão pelo Clube e fazem-nos sentir a importância do que fazemos, a responsabilidade que isso acarreta, e esse sentimento é um privilégio.”
Na Invicta como em casa
“A minha mulher, a minha filha e o meu filho estão sempre aqui. A minha filha já é uma verdadeira portista, está sempre a falar na família portista. Tem havido muitos episódios engraçados, porque quando alguém pergunta quem somos ela responde “somos a família portista”. É uma ligação muito forte, em casa temos o canal YouTube do FC Porto sempre a dar, ela já conhece todas as músicas do Clube e todos os cânticos dos adeptos. É algo espetacular, faz-me sentir um privilegiado pelo que faço e não poderia estar mais agradecido.”
La Famiglia Portista
“É algo de que tenho vindo a falar desde a conferência de imprensa, depois da primeira reunião que tive com o presidente, quando ele me transmitiu os valores do Clube. Quando falamos sobre trabalho duro, dedicação, compromisso, paixão, o desejo de colocar valentia e coragem no campo são tudo atributos da minha personalidade e do futebol que eu gosto de ver. Quando o presidente começou a falar de todas essas coisas, a minha mente começou a processar toda a informação e eu senti imediatamente que este tinha sido o passo certo para mim. Muitas coisas aconteceram nestes seis meses e a família portista faz-nos sentir em casa muito rapidamente.”
Estilo de liderança
“Cada qual é como é. Quando comecei a treinar era muito jovem, e ainda sou, e agora temos um jogador mais velho do que eu (Thiago Silva). Isso sempre fez parte da minha rotina, trabalhar com pessoas mais velhas, e acredito que devo ser fiel a mim próprio. Não sou bom a esconder as emoções, as pessoas percebem quando me sinto bem e quando me sinto mal. A minha forma de liderar o grupo é muito simples: baseia-se em elementos inegociáveis, os elementos que fizeram o FC Porto ser o FC Porto. A ligação entre mim próprio, o Clube e o grupo nasceu muito rapidamente. Sou uma pessoa direta, quando há algo de que não gosto, tento sempre corrigir e, se não for suficiente, procuro encontrar outras opções. Se houver uma relação baseada na honestidade e na transparência, mesmo que às vezes a verdade seja dura, acredito que os jogadores respeitam mais isso do que um sorriso ou uma palmada nas costas. Não significa que este seja o caminho certo, mas é o caminho que me faz sentir confortável, porque é assim que eu sou.”
O ambiente à chegada
“A primeira reunião que tive com o presidente foi especial, senti que formámos uma ligação imediata. As últimas temporadas não foram as melhores para o FC Porto e eu também vim de uma época difícil de descrever. Agora, com a cabeça fria, eu diria que foi uma temporada positiva, mas claro que a dor do que aconteceu no último mês é algo que vai viver comigo para sempre. Mais calmamente, tentamos fazer uma reflexão, analisar, encontrar respostas, mesmo que às vezes seja preciso aceitar e não questionar. As minhas primeiras palavras para o grupo foram muito claras, falámos sobre as nossas mágoas e não é algo que nos envergonhe, é algo que tem de estar sempre presente na nossa memória. Viver experiências e momentos que nos deixam desapontados faz parte da vida e parte do desporto. Essa tem de ser uma motivação extra, tem de ser o combustível para termos vontade de melhorar diariamente.”
2024/25 em Amesterdão
“Começámos no dia 15 de junho, porque tínhamos a pré-eliminatória da Liga Europa e o primeiro objetivo era qualificarmo-nos para uma das duas competições, a Liga Europa ou a Liga Conferência, sabendo que tínhamos de ganhar seis jogos para entrar, e terminar no top-3 do campeonato. Ganhámos muitos jogos, acabámos a temporada com 78 pontos, 39 na primeira volta e 39 na segunda, e isso demonstra consistência, mas o que fica na memória de todos é a forma como as coisas acabaram. O Jordan Henderson, que era o nosso capitão, já falou várias vezes sobre isso, sobre as dificuldades que enfrentámos e da nossa evolução. O atraso na temporada anterior foi de 35 pontos para o PSV e 27 ou 28 para o Feyenoord, nos dérbis contra o Feyenoord tínhamos sofrido 10 golos e marcado apenas um. Pondo as coisas em perspetiva, acho que a análise a frio é positiva, mas claro que temos cicatrizes porque perdemos o título por um golo numa temporada em que ninguém esperava que fossemos campeões. Por um lado foi positivo, mas a dor viverá connosco para sempre. Ainda assim, as memórias do que vivemos em Amesterdão e a ligação à cidade e aos adeptos é ótima. Agora vamos tentar dar um passo em frente na nossa carreira, sabendo que a temporada é longa e, como tenho dito, é uma maratona. Estamos a meio caminho nessa maratona, ainda há muito para fazer, muitas coisas para melhorar e estamos prontos para o desafio.”
Adepto de um futebol defensivo?
“Cada país tem o seu próprio estilo, mas eu tornei-me um globetrotter depois de trabalhar em tantos campeonatos. A minha equipa técnica também andou pelo mundo todo e eu vejo isso como uma força. Claro que há dificuldades, porque dentro do nosso staff existem pessoas de muitas culturas, que falam línguas diferentes, que gostam de ter abordagens distintas. Isso torna-nos uma equipa técnica mais unida, mais completa, dentro da qual as pessoas têm opiniões diferentes e discutem-nas abertamente. É verdadeiramente especial e é algo com que eu sonhava desde o meu primeiro emprego, porque sempre quis ter uma equipa técnica forte.”
Os elogios de Mourinho
“Acredito que as palavras do José Mourinho são verdadeiras. Infelizmente os recordes a meio da época não nos dão qualquer título ou vantagem. O que temos feito é especial, não é motivo para celebrar. Não devemos ficar obcecados com isso, porque já faz parte do passado. Precisamos de olhar para o futuro e o futuro próximo é um mês de janeiro que será muito importante. A começar por um jogo da Taça, que será especial por várias razões, um clássico em nossa casa, um jogo que já está no ar. Vamos ter jogos importantes para o campeonato e não podemos facilitar. Mesmo tendo feito um percurso extraordinário, ainda está tudo em aberto, os rivais vão competir até o fim. Ainda temos dois jogos importantes para a Liga Europa e também temos a oportunidade e o desejo de nos qualificarmos no top-8, que seria algo muito importante para evitar acrescentar dois jogos do play-off a um calendário já muito preenchido. Há muito trabalho para fazer e não temos tempo para festejos. Amanhã vamos para o Algarve trabalhar no duro, recuperar a condição física e refrescar a mente. Vamos levar os jogadores e as famílias para reforçarmos a ligação entre todos. Quando eu vejo a família portista, a família portista são os adeptos, os jogadores e as pessoas que estão connosco todos os dias. As pessoas que nos esperam em casa quando voltamos do trabalho. Elas têm um papel importante na nossa vida e será ótimo tê-las por perto nos próximos dias.”
Rui Borges e José Mourinho
“São dois grandes treinadores. O Rui Borges é o atual campeão, o trabalho que tem feito no campeonato e na Liga dos Campeões é ótimo. O Mourinho é uma das principais referências para qualquer treinador de futebol. O número de títulos que ele ganhou, a forma como ele mudou o futebol, sua capacidade de reinventar o jogo, o método de treino e o impacto que ele teve na indústria... sempre foi e será um dos melhores treinadores do mundo.”
O papel do treinador
“Claro que já enfrentámos dificuldades e jogos difíceis, é normal, e não somos os únicos a encontrar dificuldades, porque jogamos num campeonato muito competitivo, com bons treinadores que estão muito bem preparados. As equipas que jogam na Europa não têm muito tempo para treinar, por isso é complicado manter a forma, a energia e preparar jogos de futebol. Às vezes temos de prepará-los só com recurso ao vídeo ou com um treino de 15 minutos na manhã do jogo. Os treinadores nos grandes clubes têm de ser muito eficientes, porque não têm tempo para passar a mensagem. Isso acontece durante os treinos e na sala de reuniões. Há uma história engraçada sobre as nossas reuniões e o Eustáquio até chegou a dizer que nós estávamos a gravar uma série para a Netflix. Um dos meus primeiros pedidos ao Clube foi ter uma sala de reuniões à altura das exigências, porque no início trabalhávamos no ginásio e agora temos um espaço confortável onde passamos muito tempo. É lá que construímos as nossas ideias e que as debatemos. São pequenos pormenores que se tornam fatores-chave a longo prazo. Queremos fazer as coisas bem, porque é muito importante entrar nos detalhes. Esta época mudou muita coisa, chegaram mais de dez jogadores novos e conseguirmos juntá-los tão rapidamente foi muito bom. Agora sentimos necessidade de melhorar, de fazer as coisas ainda melhor e de não baixar a fasquia. Temos de ter paciência para nos mantermos focados e continuarmos a fazer as coisas bem, mantendo o ritmo sempre elevado.”
Bednarek e Kiwior
“O nosso registo defensivo é impressionante, claro, mas eu não acho que seja bom só porque defendemos bem. Não é. Nós somos bons porque defendemos bem, sim, mas também porque atacamos de uma certa forma, de uma forma que requer paciência, qualidade técnica, muita coordenação entre os jogadores, o tempo, a compreensão, o nível de automatismo e sincronia em certos movimentos é a chave. Nessa forma de atacar também há bastante estabilidade defensiva. Nos jogos como o de ontem, quando se tornam mais abertos e temos de defender dentro da área, então claro que a atitude do Jan (Bednarek), do (Jakub) Kiwior e do Dominik (Prpic), bem como a do Thiago (Silva), vai ser verdadeiramente importante, e é um fator-chave. A forma como toda a equipa defende, como todos se esforçam e sacrificam... no voo de regresso dos Açores analisei uma das poucas oportunidades que concedemos ao Santa Clara e foi um ressalto depois de um livre. Vimos O Borja (Sainz) e o Deniz (Gül) a atirarem-se para tentar parar a bola, e quatro ou cinco jogadores a darem o corpo às balas para tentar manter a baliza fechada. Isso é essencial, porque todos sabemos que um golo a mais ou a menos pode fazer uma diferença enorme.”
Thiago Silva
“Ele vai acrescentar experiência e qualidade. Acredito muito na gestão do jogo e na partilha de recursos físicos e mentais. Ninguém discute o palmarés do Thiago (Silva), ele não estaria aqui se os últimos jogos não tivessem um certo nível nem se a sua mentalidade não fosse a correta. Ele vem para cá ajudar e apoiar a equipa. Eu não lhe fiz uma única promessa, só lhe disse que tanto podia jogar sempre ou entrar a cinco minutos do fim. Ele disse que tem perfeita consciência disso e também tem a ambição de fechar um círculo, porque ele começou a carreira europeia no FC Porto B e ganhou a Liga dos Campeões pelo Chelsea no Estádio do Dragão. Ele vem para cá com um pensamento claro e com um objetivo importante, que é jogar o Campeonato do Mundo pela seleção do Brasil e estar apto para o Mundial no verão. Acima disso tudo está a sua mentalidade e o seu compromisso. Ontem, quando o vi pela primeira vez, ele tinha um grande sorriso, muita energia, e é disso que precisamos. Estou ansioso por começar a trabalhar com um jogador que é um dos cinco melhores defesas da história do futebol.”
Samu
“Ele tem melhorado muito, graças ao seu compromisso e à sua mentalidade. No início da temporada tivemos de lhe explicar o benefício da nossa ideia. O Samu é incrível, é um atleta de elite quando ataca o espaço ou entra na área. Mas, para uma equipa que quer ser dominante e jogar no meio-campo adversário, há também algumas coisas que ele tem de melhorar. Ele está a trabalhar muito, percebeu o benefício de ser um avançado mais completo e que, no futuro, poderá jogar ao mais alto nível numa das três melhores equipas do mundo. Quando temos essa ambição para jovens jogadores, como ele, a única alternativa é melhorar, além de trabalhar. Realço a sua abertura para isso, para aceitar e para fazer trabalho individual que se costuma fazer nos sub-13. Isso requer muita humildade, muita autorreflexão e autoconsciência. Nisso o Samu surpreendeu-me imenso, ele está a trabalhar muito bem e a melhorar todos os dias, já é capaz de repetir ações intensas com outra frequência, de pressionar como uma besta, de correr para trás e de perceber quando é o momento de correr novamente para a frente. Ontem tivemos mais uma prova do seu crescimento e, neste caso, também quero mencionar a importância de Luuk (de Jong) e do Deniz (Gül). O Luuk, com a sua experiência, teve várias conversas com ele para explicar algumas coisas, para fazê-lo sentir a importância de certas coisas. Toda a gente tem um papel muito especial e queremos manter isso em 2026, é algo que devemos fazer mais e melhor nos próximos meses.
Victor Froholdt
“Como já disse, era um jogador que eu não conhecia. Quando o presidente e o departamento de scouting me falaram sobre ele fui ver alguns jogos e fiquei impressionado com algumas coisas. Mas, para ser sincero, é muito diferente vê-lo no vídeo e vê-lo ao vivo. Destaco a sua capacidade de desenvolvimento e de perceber tudo tão rápido. É algo que, honestamente, superou as minhas melhores expectativas. Estou feliz pela evolução, por tê-lo connosco e por vê-lo crescer em termos de personalidade e de liderança. Nunca irei esquecer o primeiro jogo dele no Dragão. Quando ele foi substituído o estádio levantou-se para o aplaudir e essa conexão só tem crescido. Ele é definição absoluta do ADN FC Porto.”
Rodrigo Mora
“Falando sobre surpresas positivas, este é outro bom exemplo. Na última temporada o Rodrigo (Mora) foi o menino de ouro, a estrela da companhia e fez coisas surreais para um jogador da sua idade. Esta época, claro, depois do Mundial de Clubes, surgiram algumas mudanças, novos jogadores e, mais importante do que isso, um novo estilo de jogo que requer uma certa adaptação. Para ele, para mim e para os adeptos não foi fácil perceber logo o que estava a acontecer, mas especialmente para ele, porque começou a época com o estatuto de superestrela e, no início, não teve o papel um papel tão importante e ficou a sensação de que não iria ter um papel principal. Toda a gente sabe o que aconteceu no mercado, toda a gente ouviu rumores sobre a Arábia Saudita e sobre a quantidade de dinheiro envolvida. Quando falámos, no final do mercado, fomos muito claros um com o outro e chegámos a um acordo sobre a forma como as coisas se iriam desenrolar. O meu papel como treinador é unir as pessoas e ter toda a gente a lutar pelo bem-comum. No cenário ideal, um treinador quer ter 25 jogadores que sejam autênticos soldados a caminhar na mesma direção. Esse é o sonho de qualquer treinador, a parte difícil é encontrar jogadores e seres humanos capazes de aceitar o seu papel, de aceitar decisões e de se desenvolverem em áreas que não são a sua especialidade para melhorarem os pontos fracos. Claro que não é uma evolução do zero aos 200 num só dia, mas dando cada vez mais nos treinos, dia após dia, nunca fazendo cara feia e aceitar jogar apenas alguns minutos… o seu impacto nos últimos jogos tem sido fantástico, bem como a sua evolução enquanto jogador e pessoa. Pensando no Rodrigo agora, a palavra que me vem à cabeça é «maturidade». Ele sabe quais são os seus objetivos individuais e as coisas em que precisa de melhorar. É um dos jogadores mais comprometidos com a equipa técnica em termos de desenvolvimento pessoal. Depois dos jogos ele fica a ver vídeos com os meus adjuntos e é um dos jogadores a quem não é preciso mostrar os clipes, porque ele vai para casa rever os jogos e analisa-os da forma que nós queremos. Estou muito grato e muito orgulhoso por ter um jogador com esta qualidade ao serviço do Clube. É um dos maiores talentos portugueses e não duvido que a carreira do Rodrigo vai ser ótima. Tudo começa no desejo de conseguir algo especial no FC Porto, que é o seu clube. Ele tem a ambição de celebrar títulos aqui e a sua carreira será, com toda a certeza, fantástica.”
A importância do staff
“No meu primeiro clube, quando comecei a negociar, eles propuseram um valor para mim e outro para o meu adjunto e eu optei por não receber um euro, dividindo essa quantia por cinco ou seis pessoas que queria ter a trabalhar comigo. Isto diz muito sobre o sobre o impacto do staff e acho que o trabalho da minha equipa técnica tem sido surreal, o impacto que têm é enorme em termos de desenvolvimento individual e coletivo. Estão perto o suficiente dos jogadores para perceberem o seu estado de espírito. Para conseguirmos ter uma temporada bem-sucedida é preciso ter atenção a todos os detalhes e isso nunca pode ser o trabalho de uma só pessoa, é sempre o trabalho de uma equipa, todos com a sua tarefa e com um determinado impacto no trabalho diário. Falei da equipa técnica, mas também posso falar do departamento de performance, do departamento médico, do gabinete de apoio aos jogadores e de todas as pessoas que trabalham neste Clube a começar pelo Jardel, o nosso roupeiro tão carismático e apaixonado pelo FC Porto, até ao presidente, que é nossa referência e a pessoa que está a liderar o Clube com uma postura incrível, uma atitude e um compromisso incrível para que as coisas resultem.”
A relação com André Villas-Boas
“É uma situação muito estranha, porque ele é o dirigente que eu conheço que mais percebe de futebol. A sua carreira como treinador fala por si própria e, para ser sincero, ele é a pessoa com quem eu menos falei menos sobre táticas, porque antes da primeira reunião eu tinha preparado algumas coisas para lhe mostrar, mas ele já sabia tudo e limitámo-nos a falar sobre outro tipo de coisas. Só quando cheguei ao Porto é que precisei de abrir o computador para lhe mostrar algo. Isso diz muito sobre sua preparação e sobre o respeito que ele tem pelo trabalho, que tem feito muito bem. A nossa comunicação é muito aberta, muito direta, há coisas que vemos de ângulos diferentes e isso enriquece muito as nossas conversas. É um presidente muito presente, vem ao Olival uma ou duas vezes por semana, está sempre connosco na véspera dos jogos e transmite-nos uma energia importante. Não poderia pedir um presidente melhor. Mais do que a função e o que representa, eu acho que nós temos uma verdadeira ligação humana. Trocamos muitas mensagens sobre futebol a altas horas da noite e, por vezes, às seis da manhã, quando acordo, já tenho uma mensagem dele a falar sobre um jogador, sobre uma situação, ou sobre como podemos fazer as coisas melhor. Vim para cá com o rótulo de treinador muito trabalhador, mas aqui há pessoas que são tão ou mais trabalhadoras do que eu. Isso é inacreditável. Falo do presidente, do Tiago (Madureira), do Henrique (Monteiro) e das pessoas próximas deles. Já todos percebemos quem somos, como somos, para onde queremos ir e não há melhor forma de liderar do que liderar pelo exemplo.”
As conversas com o presidente
“Falamos sobre a performance da equipa, sobre os jogos, sobre as sensações com que ficámos, sobre o momento em que estamos e sobre as coisas que é preciso melhorar. Sou uma pessoa que gosta de ouvir e de receber feedback. Vou dar um exemplo: num dos nossos primeiros encontros, o presidente disse que o Samu não devia defender ao primeiro poste nos cantos em que fazemos marcação à zona. Fui logo ver algumas imagens, segui o conselho e, como já devem ter reparado, o Samu agora nunca está lá. Quando chegas a um sítio novo, acreditas nas pessoas e no que elas te dizem e isso ajuda a acelerar o processo de adaptação. Claro que é importante chegar com a mente fresca, para fazermos a nossa própria avaliação, mas também gosto de receber dicas, sou uma pessoa que gosta de ouvir, de criar e de trabalhar num ambiente de cooperação. Numa equipa técnica tão grande todos têm de acrescentar algo respeitando o seu papel, mas eu acredito que todos podem contribuir para acrescentar a peça certa a um grande puzzle.”
A preparação física do plantel
“A preparação física é um dos principais elementos do trabalho que estamos a desenvolver, desde o perfil dos jogadores que temos de procurar, no desenvolvimento dos atletas e não nego que sou paranóico com o lado físico do jogo e com a trajetória para onde o futebol está a caminhar. Não vamos descobrir nada, limitamo-nos a analisar as novas tendências e, a partir daí, tomamos certas decisões. Até agora corremos mais do que o adversário em todos os jogos, ultrapassámo-los em três, quatro, cinco e até oito ou nove quilómetros, o que é um número enorme e é quase como ter um jogador a mais. Toda a gente se ri com a quantidade de quilómetros que o Victor (Froholdt) corre e obviamente que ele tem um rendimento incrível, mas a realidade é que esses números e essa energia é fruto do trabalho de todos. Os nossos centrais chegam a correr mais de 11 quilómetros para tentar manter a equipa coesa e adiantada no campo, os avançados sobem muito para pressionar e trabalham sem bola no momento de recuar. A quantidade de sprints para desmontar as equipas que estão a defender em bloco baixo, para ultrapassar os adversários, para esticar a linha defensiva… às vezes nem sequer é para receber a bola, apenas para abrir novos espaços. Acredito que isso é fundamental, por isso acredito muito na capacidade física e em ter jogadores capazes de a entregar. Depois é preciso ter vontade de o fazer, o que também é importante. Para isso, acho que é preciso estar fresco nas pernas e na mente, por isso valorizo toda a gente dentro do plantel, tento rodar os jogadores, tê-los sempre prontos e envolvidos. Dessa forma, os treinos vão ser mais intensos e com dinâmicas diferentes e isso pode fazer uma diferença bastante relevante.”
A força do Mar Azul
“O apoio que temos recebido, como se viu no aeroporto quando partimos para os Açores, não significa que os adeptos estejam a celebrar algo. Eles querem dar-nos o impulso certo, transmitir-nos força e lembrar-nos do papel que todos temos aqui dentro. Eles querem transmitir-nos um grande desejo, uma grande vontade de vencer e nunca senti que estivessem a celebrar. Todos sabem para onde queremos ir, estamos todos na mesma página e este entusiasmo e esta adrenalina que se sente um pouco por toda a cidade é algo que deve ser trabalhado para continuar a crescer, porque é especial. Os nossos adeptos estão a fazer um excelente trabalho quando jogamos no Dragão e também quando jogamos fora, porque na maioria das vezes é como se jogássemos em casa.”
Sem tempo para celebrações
“Sim, com certeza, o início da época foi brilhante. É difícil pedir mais e melhor. A realidade é que o que fizemos já está feito. Agora temos de olhar para o futuro porque temos muitos jogos importantes pela frente e não temos tempo para celebrar o que já conseguimos. Eu falo sempre sobre o que vem a seguir e o que se segue é um mês com muitos jogos decisivos, começando pelo clássico na Taça de Portugal, que é a eliminar. A segunda parte da temporada é o momento em que tudo se torna mais decisivo, em que os jogos e cada ponto contam ainda mais.”
A experiência como mais-valia
“As experiências anteriores são sempre importantes porque nos ensinam algo diferente. A segunda parte da época é, como disse, uma parte importante do ano desportivo e as dificuldades estão sempre ao virar da esquina. O mercado de inverno também é um dos temas a ter em conta, porque temos jogadores que serão alvo de interesse de outros clubes, e é importante manter todos conectados. Não tenho dúvidas sobre isso. Claro que no mercado também poderão chegar novos jogadores e temos o desafio de manter o nosso padrão, bem como de ir melhorando e desenvolvendo-os no período competitivo que se avizinha. Será um grande desafio.”
Compromisso total desde o primeiro dia
“Disse aos jogadores no primeiro dia que, quando há um novo começo, há sempre a sensação de estar a escrever uma nova página, começando numa página branca, mas a realidade nunca é assim, porque carregamos as nossas sensações e experiências, às vezes boas e às vezes não tão boas. Não foi fácil haver esta mudança, especialmente depois do Mundial de Clubes, com poucos dias de descanso de uma temporada para a outra. Para ser sincero, fiquei e ainda estou surpreso com o quão rápido os jogadores entraram num ritmo distinto. Eu acho que isso tem muito que ver com o desejo deles de provar que poderiam fazer algo especial neste Clube, que poderiam jogar aqui e vestir esta camisola com dignidade. É claro que nessa evolução, eu tenho de mencionar todos os capitães da equipa, começando pelo Diogo Costa, mas também o Cláudio Ramos, o Eustáquio, o Alan Varela e a recente adição do Jan Bednarek também. O impacto deles tem sido enorme, a capacidade de manter o padrão num alto nível foi muito importante, além do compromisso com o Clube e da eficácia que tivemos ao escolher homens em vez de jogadores de futebol. Já mencionei a importância da contratação do Jan Bednarek, que além de um ótimo jogador é um líder importante, a do Luuk de Jong, que é um campeão dentro e fora de campo e que, nos poucos jogos que jogou, deu uma contribuição enorme para ajudar os jogadores jovens ao explicar a todos o que significa ganhar. Esse tipo de ajuda é algo impagável, tal como o trabalho de todas as pessoas que estão no Olival diariamente a ajudar a levar o Clube para a frente.”
Thiago Silva
“O Thiago também é um jogador que vai nos dar uma energia extra, vai ser uma peça importante para o Clube e para a equipa com a sua experiência e mentalidade vencedora. É um jogador muito profissional, que já está a preparar-se mentalmente para ser treinador. Acredito que nos vai ajudar, especialmente com a humildade maravilhosa que mostrou desde o primeiro contacto. É disso que precisamos.”
Um reforço que conhece os cantos à casa
“Falámos pela primeira vez com o Thiago há algumas semanas e a ligação foi muito rápida porque ele tem uma história com o Clube. Foi o Clube que o trouxe para a Europa, mesmo tendo a experiência sido muito complicada, ganhou também a Liga dos Campeões aqui no Estádio do Dragão e agora vem com o desejo de nos ajudar, quer ser competitivo e levar a equipa para onde pertence. Além disso, tem também o objetivo individual de ser chamado à seleção brasileira para o Mundial, por isso talvez possa ir praticando o italiano para falar com o Carlo Ancelotti, um treinador que foi muito importante na sua carreira. Há aqui muitos fatores interessantes.”
Versatilidade e exigência
“Cada um joga com a sua própria ideia. Eu acredito que, na forma como jogamos, há flexibilidade suficiente para gerir diferentes cenários nas diferentes competições. É verdade que temos uma ideia clara e acho que é bom saber o que vamos fazer, mas a equipa já provou ter a capacidade de jogar em diferentes cenários e de atuar contra equipas que pressionam de forma muito agressiva, ou jogar contra equipas que defendem num bloco baixo, no fundo ser uma equipa que consegue exercer uma pressão forte contra todos os adversários em todos os campos, sempre com essa intenção, mas também quando enfrenta equipas que forçam a jogar uns metros mais atrás, como aconteceu contra o SC Braga aqui no Dragão, ser capaz de defender mais baixo e de ter um tipo de jogo distinto. Temos uma ideia, mas temos também os atributos certos para jogar em diferentes cenários. Sobre margem de progressão, temos uma lista longa, muito longa. Somos muito exigentes connosco, primeiro na equipa técnica, mas também os jogadores estão sempre a pedir e a exigir mais para melhorar. Acho que esta é honestamente a chave, acima de tudo: mais do que nos contentarmos com os nossos feitos, sermos realmente exigentes connosco próprios para melhorarmos.”
A vitória nos Açores
“Tenho a sensação de que o jogo foi honestamente bem jogado. Na primeira parte jogámos num relvado que estava muito difícil, muito pesado, estava cheio de água e pesado para jogar. Acho que fizemos o nosso jogo, tivemos combinações muito interessantes para entrar na área. Talvez não tenhamos capitalizado ou gerado tanto, mas tivemos uma boa oportunidade com o William numa transição e marcámos numa ação muito particular. A realidade é que todos sabemos que jogar nos Açores nunca é fácil. Conceder quase nada ao Santa Clara é também algo que deve ser assinalado e, acima de tudo, o resultado e a continuidade no caminho e nos resultados que pretendemos é algo que não deve ser subestimado.”
O clássico com o Benfica
“Não sei como eles vão abordar o jogo. Teremos agora alguns dias para preparar diferentes cenários, se serão um pouco mais agressivos ou se vão abordar o jogo da mesma forma que fizeram. Com certeza espero uma grande batalha tática, como foi na primeira volta, num jogo com muito equilíbrio onde, quando moves uma peça, há sempre uma resposta adequada. Para ser honesto, concordei totalmente com a conferência pós-jogo que o José Mourinho deu sobre a forma como ambas as equipas jogaram, porque foi um jogo disputado com muita precisão. Talvez não tenha sido o jogo mais espetacular de se ver, mas foi um jogo, na minha opinião, bem jogado por ambas as equipas. Tivemos as principais oportunidades para ganhar, mas será diferente desta vez. O facto de ser um jogo a eliminar gerará dinâmicas diferentes. Temos de estar muito bem preparados e bem ligados para jogar contra uma equipa que tem uma qualidade e uma organização fortes. Nos últimos jogos, acho que eles subiram o nível em termos de qualidade de jogo, fizeram um jogo muito bom contra o Nápoles, jogos muito bons recentemente, por isso estão num bom momento de forma e temos de estar preparados. Repito-me: jogámos contra um dos melhores treinadores da história do futebol e contra um treinador que tem uma grande experiência de competições com jogos a eliminar. O desafio está lá, por isso vamos tentar estar preparados.”
Um objetivo, vários caminhos
“Tentamos sempre preparar o jogo com a intenção clara de entrar em campo para ganhar, de sermos os protagonistas do jogo. Isso depois depende muito da interpretação do nosso adversário e do facto de que, de acordo com os cenários que vamos enfrentar, temos de nos adaptar. Isso é absolutamente normal. Acredito que a flexibilidade é um trunfo fundamental de uma equipa que quer competir em diferentes competições. Teremos agora alguns dias para estarmos prontos fisicamente, para nos prepararmos bem mentalmente e abordar o próximo desafio e os próximos seis meses com a mentalidade e atitude certas.”
O estágio no Algarve
“É uma boa oportunidade para juntar as pessoas novamente, para unir o grupo, para trabalhar num ambiente diferente, o que acho importante nesta altura. É importante ter um momento em que possamos trabalhar um pouco mais de tempo com os jogadores e ter uma semana inteira de trabalho, sessões duplas e reuniões extra. Além disso, quisemos ter as famílias deles e a nossa família connosco, por isso é uma mistura de trabalho árduo e momentos familiares. Deve ser um momento para recarregar, refrescar e pôr novamente gasolina no tanque, porque o que temos pela frente é um período desafiante e que exigirá o melhor de todos nós.”
Contra tudo e contra todos
“A primeira vez que ouvi foi quando fomos ao Museu. Foi uma experiência muito boa para compreender algumas coisas que, nos meses seguintes, coloquei em prática. Está muito claro. Na realidade, este slogan parece que vai contra coisas que estão fora, mas na realidade é uma mensagem de unidade vinda de dentro. É a forma como repetimos com orgulho esta frase, porque a prioridade é estarmos unidos no interior, sermos fortes por dentro, estarmos ligados, na mesma página, com a mesma ambição e o mesmo desejo.”
A Liga Europa
“É importante passar e ir o mais longe possível na Europa. Claro que se isso puder acontecer ficando no top-8, numa época com tantos jogos, será muito bom. Significa ter duas semanas limpas em que podes trabalhar, recuperar os jogadores, talvez acrescentar algo do ponto de vista tático ou clarificar coisas. Podes fazer as coisas com um pouco mais de calma. Vamos tentar. Não sei se o resultado do próximo jogo será suficiente, porque acho que 14 pontos talvez não cheguem. É uma loucura porque na época passada com 14 pontos estavas qualificado, e esta época provavelmente precisarás de 16 ou 17. Isso diz muito sobre o novo formato: eles quiseram ter a competição aberta até ao último momento e conseguiram-no. Vamos tentar fazer o máximo de pontos possível nos próximos dois jogos e depois veremos onde estamos, se já temos um pé na próxima fase ou se teremos de disputar o play-off.”
A arranque da caminhada europeia
“Vem-me à memória o jogo contra o Nice. Acho que o Nice é uma equipa muito física e intensa e fizemos um jogo muito bom. Em Nottingham perdemos o jogo com dois penáltis, mas a performance foi muito boa. O Utrecht é outra equipa física e forte dos Países Baixos que conheço bem e acho que estivemos bem. Na realidade, em todos os jogos, eu diria que podíamos ter tido mais um ou dois pontos facilmente. Não senti mais dificuldades. Claro que na Europa jogas com equipas como o Nottingham, que é uma das melhores 15 em valor de plantel. Desafias-te contra diferentes competições e formas de jogar. Agora teremos o Viktoria Plzeň e o Rangers, que são dois grandes clubes nos seus países, com história internacional importante. No futebol moderno não vejo jogos fáceis. Damos muito respeito e atenção a toda a gente.”
Vencer a Liga dos Campeões
“É difícil, muito difícil, no limite do impossível, mas o futebol é cheio de coisas inesperadas que se tornam histórias mágicas. É uma das melhores coisas que o futebol nos ensina. Por isso diria que é difícil, mas não impossível.”
Um sonho a longo prazo
“Sim, acho que ganhar a Liga dos Campeões é a maior conquista como treinador de clubes. É o maior alvo que podes ter, mas está tão longe que prefiro focar-me nos desafios atuais, que já são mais do que suficientes. Passo a passo, veremos qual será o meu futuro. Hoje a minha carreira é no FC Porto, que é um grande Clube. É um privilégio estar aqui. Eu, o staff e o Clube faremos tudo para fazer os nossos adeptos felizes, isso é o mais importante.”
Dragão de corpo e alma
“O meu compromisso com o Clube é muito forte. Disse na última conferência que nunca considerei a opção de sair a meio da época. Tive realmente boas oportunidades. Na época passada, a certa altura, tive a chamada do FC Porto, mas estava comprometido com outro Clube. É assim que eu sou e como me sinto. Por isso não há dúvida de onde vou terminar a época. E para o futuro, tenho um contrato aqui. Estou muito feliz com as pessoas com quem trabalho. Sinto-me privilegiado por ser o treinador de um dos melhores clubes da Europa. Isso diz muito sobre a magnitude do Clube, mas especialmente sobre a qualidade das pessoas por quem estou rodeado. É algo único. Sinto o privilégio e o desejo de trabalhar e fazer as coisas melhor todos os dias. Esta é a nossa principal ligação.”
Os talentos da formação
“Alguns deles estarão connosco agora no estágio, no Algarve. Alguns já treinam connosco há alguns dias. Ontem pedi para organizarem um pequeno vídeo de todos eles para os ver em ação nos jogos, para ter uma imagem melhor de quem são, quais os seus pontos fortes e características. O desejo, em conjunto com o clube, é tentar construir e abrir caminho para os grandes talentos que temos na formação. Nada é de graça. O padrão de exigência tem de ser muito alto. Os jogadores que vão estagiar connosco foram escolhidos, não só porque são jovens e bons no seu escalão, mas também porque têm algo mais. Algo que os ligue ao ADN do FC Porto, com o compromisso que todos têm de mostrar para representar a equipa principal. Estes rapazes têm a mentalidade, por isso vamos tentar conhecê-los melhor para os ajudar a melhorar e para que tragam o seu talento ao serviço da equipa.”
O mercado de janeiro
“Estamos a discutir várias possibilidades com o presidente. Temos algumas necessidades devido às lesões graves que tivemos do Nehuén Pérez e do Luuk de Jong. Estamos curtos de opções em algumas posições desde o início da época. O desejo é tentar tornar a equipa mais equilibrada, com maior profundidade no plantel, acrescentando qualidade e o perfil certo, se for possível. Queremos especialmente acrescentar a mentalidade certa, algo que para nós é absolutamente chave. Queremos compromisso, energia e acrescentar valor para o presente e para o futuro.”
Equilíbrio desportivo e financeira
“Estamos a avaliar a situação. O maior exemplo foi o Pablo Rosario, que é um jogador que pode jogar em tantas posições. A lesão do Luuk abriu uma necessidade na frente. Pode ser que venha alguém que possa jogar em duas posições diferentes. Talvez contratemos mais um jogador, talvez não. Depende do mercado. Sabemos que há um equilíbrio financeiro que também precisamos de respeitar. Temos ambição desportiva. Eu, o presidente e o CFO estamos todos a trabalhar para tirar o melhor da situação. Abordo esta janela de transferências com fé e com a crença de que vamos fazer as coisas certas para sermos competitivos sem desequilibrar a equipa.”
Luuk de Jong
“Temos uma excelente relação com o Luuk de Jong. O facto de ele já estar aqui de volta para fazer o processo de reabilitação e estar perto da equipa acho que já é uma prova de compromisso. Como disse, há uma opção no contrato dele. Teremos tempo nas próximas semanas para avaliar todas as possibilidades. Acho que é muito raro encontrar um campeão do nível do Luuk, dentro e fora do campo. Somos todos maduros o suficiente para encontrar o compromisso e a solução certa.”
A vida no Porto
“É bom viver aqui. A minha rotina diária é bastante simples: vou para o Olival muito cedo e saio ao fim da tarde para ir para casa, para junto da minha família. Nas poucas vezes que tive dias de folga, durante a pausa internacional, nunca saí daqui, por isso tive a oportunidade de visitar outras partes de Portugal, visitar a cidade, ir a alguns restaurantes. Eu e a minha família estamos muito felizes aqui. A minha filha começou a escola aqui, está muito feliz, está a aprender português e inglês. As coisas estão a correr bem, sentimos um bom equilíbrio e um ótimo ambiente. A prioridade é sempre o futebol, mas em termos de vida familiar, estamos realmente felizes no país e com as pessoas que nos rodeiam.”
O encanto da Invicta
“Há tantas coisas boas para ver. Estou a descobrir o Porto, especialmente à noite porque a minha filha não dorme bem. Às vezes, à noite, pegamos no carro e andamos pela cidade. Ver a cidade à noite é fantástico. Há sítios que são únicos. Há uma mistura entre a arquitetura e a natureza. Estar em frente ao oceano é incrível, viras-te e tens vistas muito românticas. É ótimo. Estamos muito felizes pela cidade, pelo país, mas acima de tudo pelas pessoas que estão connosco no dia a dia e que nos fazem sentir em casa, reforçando a mensagem de La Famiglia Portista.”
O Clube numa expressão
“Família Portista.”
Santa Clara 0 - F.C.Porto 1. Terminou com uma vitória muito difícil uma 1ª volta extraordinária e limpa
No último jogo da 1ª volta, o FCP, líder isolado, deslocou-se aos Açores para enfrentar o Santa Clara. Para além do valor da equipa de Vasco Matos, um relvado que nunca está em boas condições, havia a questão da equipa açoriana ter muitas razões de queixa das arbitragens, particularmente nos jogos frente ao Sporting e haver a tentação de ser o FCP a pagar o pato dos prejuízos do Santa Clara.
Depois do empate do Sporting em Barcelos e a poder aumentar a vantagem para o 2° classificado, Francesco Farioli fez jogar de início Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior e Francisco Moura, Pablo Rosário, Froholdt e Gabri Veiga, William Gomes, Samu e Pepê e o FCP entrou dominador, na primeira zona de construção, a calma habitual, segurança na troca da bola. Santa Clara defendendo com muitos e bem, procurando sair no contra-ataque. Foi assim que se passaram os primeiros 15 minutos do jogo. Aos 17 William Gomes excelente remate, bola não passou longe da baliza. FCP era superior, tinha as despesas do jogo, açorianos só defendiam. Gabri Veiga de livre obrigou Gabriel Batista a estar atento. Dragões atacavam bem pela direita, mas os cruzamentos de Martim e William eram muito para dentro, facilitavam a vida ao guarda-redes da equipa da Ilha.
Aos 29 minutos saiu Francisco Moura e entrou Alberto Costa.
FCP com muitas dificuldades no último terço, em furar a muralha do Santa Clara.
Era preciso cerrar os dentes, jogar nos limites, igualar o adversário na agressividade. Jogo com muitas faltas, muitas interrupções. Para evitar esse tipo de jogo era preciso circular rápido, encontrar espaços, definir e passar bem e ser eficaz. Foi já nos descontos e numa saída rápida para o ataque que o FCP teve a melhor oportunidade com William isolado a rematar mal e na recarga Gabri Veiga a disparar contra um defesa.
O jogo chegou ao intervalo com um nulo e pode dizer-se que era um resultado justo.
Na 2ª parte Francesco Farioli não mexeu e o FCP entrou na mesma toada e com as mesmas dificuldades da 1ª. Até que do nada Gabriel Batista falhou a reposição e Samu encostou para o golo. Dragões na frente.
Obrigado a arriscar mais o Santa Clara ia subir linhas, era importante aproveitar e tentar aumentar a vantagem. Para isso simplificar e não inventar. Assim foi, FCP recuou, procurou sair no contra-ataque. Pedia-se discernimento e assertividade, mas não estava fácil, havia sempre um toque a mais.
Aos 60 minutos saíram William Gomes e Gabri Veiga, entraram Alan Varela e Borja Sainz.
Aos 66 minutos Samu perto do golo. A organização defensiva portista obrigava os açorianos a jogar para trás, tinham mais bola, mas só chegavam à frente porque alguns jogadores de azul e branco em vez de tocar na profundidade, aproveitar os espaços, saíam em toques inócuos. Era Pepê de um lado, Borja Sainz do outro. Quem entrou na 2ª parte não trouxe nada de novo, pelo contrário. Era um mau período do FCP que raramente fazia bem. Entretanto saiu Pepê e entrou Deniz Gül.
Embora o conjunto de Vasco Matos não criasse grande perigo, num lance fortuito podia acontecer um golo. Dragões não conseguiam sair bem, controlar o jogo, raramente faziam uma jogada em condições.
Quando fizeram, Borja recebeu bem e obrigou o guarda-redes a uma excelente defesa.
O jogo entrou nos descontos era preciso segurar a vantagem mínima. Segurou e jogo terminou com uma vitória muito, muito difícil frente a uma equipa que deu tudo e se tivesse empatado não seria um resultado injusto.
Notas finais:
O importante foi conseguido e o FCP termina a 1ª volta com uma prestação extraordinária e limpa de 16 vitórias e apenas um empate, 7 pontos para o 2° e 10 para o 3°.
Não foi, longe disso, uma exibição bem conseguida. Mas para além do espírito e atitude que a caracteriza, uma equipa que tem uma defesa difícil de ultrapassar, com uma dupla de centrais que parece uma parede, se marcar é quase certo que vai ganhar.
Agora é descansar, aproveitar o estágio para melhorar e voltar em pleno na Taça de Portugal.
F.C.Porto 2 - AFS 0. Vitória natural de um Dragão pouco inspirado e de serviços mínimos
Depois da vitória que não merece discussão em Alverca e do período de Natal que deu direito a três dias de descanso aos profissionais às ordens de Francesco Farioli - longe vão os tempos em que por esta altura o campeonato interrompia por uma, às vezes, mais que uma semana, os jogadores da América do Sul viajavam até aos seus países onde é Verão, o regresso ao trabalho não era fácil...-, o FCP tinha pela frente o AFS, último classificado do campeonato. Apesar de ser um jogo de claro favoritismo azul e branco, o futebol é fértil em surpresas e por isso era fundamental encarar o jogo com toda a seriedade e respeito pelo adversário. Não foi uma boa exibição, mas o objectivo de conquistar os três pontos foi conseguido.
Com Diogo Costa, Martin Fernandes, Bednarek, Kiwior e Francisco Moura, Pablo Rosário, Froholdt e Rodrigo Mora, William Gomes, Samu e Pepê de início e frente a um AFS muito recuado, o FCP tinha muita bola, mas com dificuldade em furar a muralha adversária. Alguns remates, mas sem grande perigo. O Aves deu um ar da sua graça, os Dragões quando tinham espaço e procuravam sair para o ataque, eram muito lentos na primeira zona de construção ou mais à frente definiam e passavam e cruzavam mal.
Primeira grande oportunidade aos 30 minutos na cabeçada de Froholdt para defesa difícil do guarda-redes Berteli. Nestes jogos amarrados tem de aparecer a criatividade, rapidez de pensamento e execução e ela não surgia. Pepê e William nas alas não desequilibravam, afunilavam, na altura de rematar os remates eram de pólvora seca. Quando se pedia simplicidade, ela raramente existia, havia precipitação e incapacidade de decisão.
Já no tempo de descontos Kiwior podia ter aberto o marcador.
O jogo chegou ao intervalo com o resultado em branco muito por culpa de um FCP que apesar de ter muita posse de bola foi incapaz de desmontar a teia defensiva do AFS, criou muito pouco para tanto domínio.
Frente a blocos tão baixos é preciso ser rápido a circular, pensar, executar e ser contundente na zona onde se decidem os jogos e isso esteve ausente nos 45 minutos da 1ª parte.
Para a 2ª parte o treinador do FCP tirou Diogo Costa lesionado e fez entrar Cláudio Ramos.
Logo ao 3° minuto Samu em lance individual de alto nível abriu o marcador. Estava feito o mais difícil, mas não se podia descansar na diferença de um golo.
O golo voltou a estar perto, Pepê a rasar o poste.
Aos 59 minutos saíram Rodrigo Mora e William, entraram Gabri Veiga e Alarcón.
Logo de seguida lance duvidoso na área dos visitantes. Gabri tocou primeiro na bola, o defesa chutou no seu pé, VAR chamou o árbitro, penálti. Chamado a marcar, Samu não perdoou, fez o seu 2° e aumentou a vantagem.
Portistas mais tranquilos frente a um adversário que apesar de estar a perder por dois golos não parecia muito disposto a desmontar a tática defensiva. Mas convinha não facilitar.
Aos 75 saiu Francisco Moura e entrou Alan Varela e o FCP começou a enrolar, deixar passar o tempo.
Na última substituição saiu Martim Fernandes, entrou Alberto Costa, aos 84 e o jogo arrastou-se até ao fim sem mais nada de relevante a assinalar.
Resumindo, vitória natural de um Dragão de serviços mínimos. Na 1ª parte faltou capacidade e inspiração para desmontar o bloco do AFS. Na 2ª e após o 2° golo, apenas houve vontade de gerir, nunca de forçar e construir um resultado mais volumoso.
O FCP fecha o ano com a 15ª vitória em 16 jogos uma performance de excelência. Mas no início do novo ano tem uma deslocação aos Açores e pela frente um Santa Clara muito complicado. É preciso muito mais Porto do que hoje para sair de São Miguel com os três pontos e começar 2026 com o pé direito.






















